Revisitando o passado visito diversos mundos que conheci ora vagamente, ora cada recanto mais sombrio. Quando a memória me atormenta visito um novo mundo, aquele onde todo o conhecimento se resume àquilo que sou e ao que sei.
Quero viver neste mundo e fugir de todos os outros que lutam arduamente para me extinguir. Mundos onde todos os segredos fogem da penumbra ao serem continuamente perseguidos pela luz. Mundos onde não existo, onde não vivo, onde apenas respiro o ar que me é exalado. Um ar poluído por actos inconscientes para continuar a sofrer até um dia ser finalmente engolido no deserto da sua essência.
Cada um cria o seu próprio mundo, onde todos os que o rodeiam se sujeitam a viver, sendo as leis destes mundos criadas por cada personalidade das maneiras mais exóticas ou macabras. No fim de cada dia é possível encontrar no conforto da noite todas as vidas que se perderam nestes mundos, na última tentativa desesperada de fugir aos seus mundos e de poderem ser livres. É na noite, na escuridão, que os sonhos nascem tão rapidamente quanto são destruídos pela luz do dia. Porem, é nesse momento que saboreamos toda a vida e sentimos o seu esplendor. É nesse momento que sentimos a vida e que encontramos o mundo perfeito para viver.
Cada um é um mundo e entre cada mundo existirão sempre guerras.
Em ti encontro o meu mundo, um mundo onde ambos vivemos. O nosso mundo. É no teu mundo que revejo sonhos, recordações já esquecidas, momentos de felicidade e as mais diversas vidas. Apesar de ser muito mais fácil recordar todos os maus momentos já vividos do que os mais alegres, é mais fácil no teu mundo viver cada momento mais intensamente. No fim é assim que se saboreia a vida.
Acredito no nosso mundo. Acredito em quem és.
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