As guerras dos mundos

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Revisitando o passado visito diversos mundos que conheci ora vagamente, ora cada recanto mais sombrio. Quando a memória me atormenta visito um novo mundo, aquele onde todo o conhecimento se resume àquilo que sou e ao que sei.
Quero viver neste mundo e fugir de todos os outros que lutam arduamente para me extinguir. Mundos onde todos os segredos fogem da penumbra ao serem continuamente perseguidos pela luz. Mundos onde não existo, onde não vivo, onde apenas respiro o ar que me é exalado. Um ar poluído por actos inconscientes para continuar a sofrer até um dia ser finalmente engolido no deserto da sua essência.
Cada um cria o seu próprio mundo, onde todos os que o rodeiam se sujeitam a viver, sendo as leis destes mundos criadas por cada personalidade das maneiras mais exóticas ou macabras. No fim de cada dia é possível encontrar no conforto da noite todas as vidas que se perderam nestes mundos, na última tentativa desesperada de fugir aos seus mundos e de poderem ser livres. É na noite, na escuridão, que os sonhos nascem tão rapidamente quanto são destruídos pela luz do dia. Porem, é nesse momento que saboreamos toda a vida e sentimos o seu esplendor. É nesse momento que sentimos a vida e que encontramos o mundo perfeito para viver.

Cada um é um mundo e entre cada mundo existirão sempre guerras.

Em ti encontro o meu mundo, um mundo onde ambos vivemos. O nosso mundo. É no teu mundo que revejo sonhos, recordações já esquecidas, momentos de felicidade e as mais diversas vidas. Apesar de ser muito mais fácil recordar todos os maus momentos já vividos do que os mais alegres, é mais fácil no teu mundo viver cada momento mais intensamente. No fim é assim que se saboreia a vida.
Acredito no nosso mundo. Acredito em quem és.


Um Ciclo

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Com a mestria de um artesão de almas , aproximando se do próprio deus , muda os nossos pensamentos, e guarda a nossa vida num pequeno saco de veludo vermelho.
A própria imagem de um ser torna se vaga perante tal poder, que sem forças se verga pedindo clemência embora a sua garganta não possua força suficiente para proferir qualquer palavra.
Sentir a vida esvair se sem poder segurá-la, num sentimento de desespero apenas igualado por quem subia o próprio Golgotha.
Acabam assim os jogos com o diabo e um percurso obscuro, mal planeado e sem qualquer sentido , prova se inútil e dispensável.
Apagam se as luzes.
Surge o medo. Ou a felicidade?
Surge o vazio fechado dentro de si mesmo , completando o seu ciclo de inexistência.
Tudo se resume a um pequeno momento. Sem significado ,assemelha se a observar as ondas do mar ou o por do sol. Simplesmente belo , inexplicavelmente sem significado.
Talvez assim se defina a morte?


A verdade

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O mundo olha me nos olhos. Tudo o que conseguem ver é o espelho de si mesmos , não na realidade distorcida que aparentam mas sim no que verdadeiramente são. A dura realidade de serem algo estranho a si mesmos quando se são confrontados consigo próprios. Tal como um paradoxo a sua personalidade confronta se consigo própria deparando se sempre com alguém diferente. Um dia julgaram ser alguém que nunca foram. Sonharam ser algo diferente , especial. Foram mentiras , foram tudo e nada.
Quem é , no fundo , o mundo? Porque olha ele para nós desta maneira? A seus olhos somos mutantes. Somos os frutos de uma má colheita , num ano de pragas e doenças. A doença somos nós. O mal , somos nós.
Contra nós lutam , resistem. Nós somos vossos e no entanto somos como lixo. Se um dia nos amaram foi um dia para lá do esquecimento da mente mesquinha e pequena que se tornou o vosso modo de vida. Distorcidos pelas suas próprias mentes nada vêm para alem de seus próprios actos enquanto vivem seus pecados , quando o pecado somos nós e assim permanecemos ignorados.
O modo como me olham passa indiferente. Tudo muda quando me sentem e na vossa alma toco.
Sem nunca a ter vivido , a minha alma não é minha. Nunca foi , pertence ao mundo. Tudo muda quando me sentem. Quando me sentem sabem que a verdade não está em vós nem nos vossos pensamentos. A verdade somos nós.


Enquanto as chamas devoravam os seus pecados

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Enquanto as chamas devoravam os seus pecados , nem a dor nem a morte afastavam todo o receio que sentia. Talvez naquele momento esperasse sentir o alivio que procurara em vão toda a sua vida. Recordando uma vida que passou tão devagar , pois quando a dor supera a vontade de viver os momentos não passam, ficam. Ficam presas a cada segundo , no pensamento. Permanecem recordados como se o vivesse mos sempre , uma dor que não passa mas que simplesmente se sente. Naquele momento a dor das chamas enegrecendo o seu corpo falhavam em cumprir os seus desejos de morte. Naquele momento a sua vida voltou a perder se , tal como acontecera durante todos os dias a que conseguiu sobreviver.
No dia em que pensou se alguém a impediria de mudar de mundo e se apercebeu que não existia ninguém , perdeu se. Perdeu se do seu caminho na vida , embora já se tivesse tornado apenas num desnorteio entre varias vidas , sem nunca se conseguir cruzar com uma única que lhe ensinasse a viver. No fundo perdeu a sua vida , vivendo. Viveu , sem qualquer sentido.
Enquanto as chamas devoravam os seus pecados , todo o mundo se encontrava no seu lugar. Ardendo no seu lugar estavam todas as almas que sempre rastejaram junto a si , atraiçoando , mentindo , respirando. Respirando a sua vida , tomando a sua felicidade para si. Foram eles que arderam naquele momento.
Por fim a sua dor passava , o seu medo desaparecia , a sua vida acabava. Mudava de mundo agora , lentamente, tudo acabara . Nada mais existia , nem dor nem pensamento. Agora não existia nada. Aí sim. Sentiu se feliz. Tudo o que deixara de existir deu lugar à felicidade.
Enquanto as chamas devoravam os seus pecados , simplesmente deixou de existir.


Definir te

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Saber que existes algures e que sei onde estás mas não querer te encontrar faz me duvidar se és real. Onde eu te procuro sei que não te encontro mas continuo a procurar.
É lá que deverias estar.
És um suspiro , és uma brisa , uma folha que voa em minha frente , um acto tão simples que passa despercebido.
Apenas te encontro como um sentimento. O que sinto num certo momento faz me sentir a tua presença. Se é a raiva que me assola , a tua imagem é distorcida por algo que todos evitam mas que eu insisto em querer sem ter noção da sua realidade.
És todos os passos que dou em frente , todas as decisões que tomo ou evito tomar. Percorro vários caminhos onde me perco pois o sentido que ela sem espinhos me indica é aquele que eu não quero tomar. Não quero enfrentar os desfechos destes caminhos sem norte pois apenas o desconhecido me assusta. Tudo o que sei é mentira quando ,percorrendo o mesmo caminho este já não é o mesmo. Não poderei voltar a trás.
Assim te defino Vida que nunca serás nada para mim.



Sentir um vazio dentro de mim e não conseguir descrever exactamente o que pretendo realmente sentir sem que seja ambíguo ou incerto.
Quero conseguir dominar todos os meus pensamentos e compreender o porquê deles existirem.
Quero saber o que é ao certo este vazio que não consigo descrever. Sinto que me falta algo ou que algo tenho de fazer para fazer desaparecer este vazio.
Percorro os labirintos dos meus pensamentos procurando a peça que falta para completar este puzzle que finalmente me dará uma resposta para este enigma que insiste em me perturbar.
Talvez precise de algo que preencha o vazio para me transformar num todo passível de compreensão , um ser completo aproximando se da perfeição que muitas vezes é exigida ao mais forte dos homens que fracassa confrontado com tal afronta à essência do seu ser.
Perfeição é algo que nunca conseguirei alcançar e todos sabem disso. Mesmo que eu seja ninguém , todos sabemos que ninguém será perfeito. Nem hoje nem nunca.
No fundo consigo explicar este vazio. Este vazio que me perturba é a falta de perfeição.
Afirmo assim que , com tudo isto , não sou perfeito.


Um começo

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É o inicio de mais um blog. Talvez um sitio onde eu possa despertar o meu interesse em mim próprio tentando redescobrir me através de palavras publicadas numa página onde muitos podem ver.
Talvez um sitio onde consiga que outros alcancem uma nova visão de mim ou da minha vida , não interessando se me conhecem ou não.
No fim apenas será o único sitio onde ainda guardarei alguma essência daquilo que percorre a minha mente num certo instante ou momento da minha vida.
Espero que quem quer que leia , que sinta prazer em o fazer e que sinta tudo aquilo que eu quero descrever na melhor maneira que o consiga.


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